segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

REAPN - Uma Atitude Louvável


A REAPN é uma Ong e com sede em Bruxelas que tem sua representação em cada estado membro da União Européia.
Atuante no Estado Português desde 1991, a Rede Européia Anti Pobreza (REAPN) surge com a preocupação da Comissão Europeia (Direção Geral dos Assuntos Sociais) perante o aumento dos fenómenos da pobreza e da exclusão social na Europa. "Em 1985 viviam nos doze países da Comunidade cerca de 44 milhões de pessoas abaixo do nível considerado como limiar da pobreza, número que em 1990 passou para 53 milhões” (Relatório da Comissão).
Entre os muitos objetivos que a REAPN possui, encontram-se os norteadores deste projeto de inclusão social:

“Promover acções que aumentem a eficácia dos programas de luta contra a pobreza e a exclusão social e incentivar acções inovadoras neste campo;
Estabelecer/dinamizar uma interacção (rede) entre as instituições, grupos e pessoas que trabalham no terreno da luta contra a pobreza e a exclusão social;
Colaborar na concepção/definição de programas de acção e políticas sociais;
Garantir a função de "grupo de pressão" para os menos favorecidos;
Promover junto das pessoas ou grupos que se encontram em situação de pobreza/exclusão, por um lado, e junto dos agentes de intervenção (profissionais, trabalhadores sociais, dirigentes de instituições particulares de solidariedade social), por outro, a integração social e a organização de serviços e outras actividades que visem principalmente o desenvolvimento cultural, económico, moral e físico das pessoas que se encontram em situação de pobreza/exclusão”.

Uma atitude no mínimo louvável que também chega dentro das salas de aula, diante da percepção sensível de considerar que o estudante, seja ele português ou não, também está grafado dentro do quadro da exclusão social. E uma forma de combater esta exclusão, em sala de aula, está em um projeto elaborado por eles que é um guião a toda comunidade educativa.
Entendo também que este grandioso projeto deveria ser lido, entendido e executado por todos os continentes de forma adaptada cada um às suas necessidades, afinal a idéia é de grande serventia humanitária.
Dentro do projeto, Guião para os Professores, não somente encontramos conceitos e definições do tipo: pobreza, exclusão social, bem como se trabalhar em sala de aula com estes conceitos e percepções para tentar amenizar e combater a exclusão social.
Vou disponibilizar o site da REAPN, com o pdf, que está para todos terem acesso e no mínimo seguirem esta atitude tão grande e de inclusão social.
http://www.reapn.org/publicacoes_visualizar.php?ID=150

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ler e Prazer


Comentou, certa vez, Rubem Alves que somente deveria de ler quem está possuído pelo texto que lê:

“(…)Todo texto literário é uma partitura musical. As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele domina a técnica, se ele surfa sobre as palavras, se ele está possuído pelo texto – a beleza acontece. E o texto se apossa do corpo de quem ouve. Mas se aquele que lê não domina a técnica, se ele luta com as palavras, se ele não desliza sobre elas – a leitura não produz prazer: queremos que ela termine logo. Assim, quem ensina a ler, isto é, aquele que lê para que seus alunos tenham prazer no texto, tem de ser um artista. Só deveria ler aquele que está possuído pelo texto que lê (...)”. (Correio Popular, Caderno C, São Paulo, 19/07/2001).

Em outro artigo que publiquei, comentei que a leitura é um ato divino e que este ato de encontro entre o leitor e o texto precisa ser um ato prazeroso. É como se dois amigos se encontrassem para falar dos fatos da vida compostos por diversas características que cada um traz consigo.
Disse, muitas vezes, aos meus alunos que ler era também igual a beijar, nem sempre beijamos bem, mas nem por isso deixamos de beijar, estamos sempre tentando melhorar o nosso beijo. E entre muitos beijos, encontramos os melhores beijos.
Este encontro mágico que a leitura propicia deve ser praticado; é no hábito da leitura que aperfeiçoamos nossa própria leitura e aumentamos nossos conhecimentos sobre nós e os demais.
Nunca fui a favor da indicação de livros, porque imagino que indicar um livro para alguém é preciso, antes de tudo, conhecer bem este alguém para perceber que melhor leitura lhe convém ou que pensamos que lhe convém. Todavia, as diversas leituras fazem parte da vida de todos, e, se tivermos o hábito de ler, mesmo que o livro naquele momento não diga nada, ainda assim, devemos permanecer com esta prática .
Quero disponibilizar uma lista com alguns livros que penso que você poderia pensar em ler e começar a praticar ou dar seguimento as suas leituras. São eles:



Ilíada, Homero
Odisséia, Homero
Hamlet, William Shakespeare
Dom Quixote, Miguel de Cervantes
A Divina Comédia, Dante Alighieri
Ulysses, James Joyce
Guerra e Paz, Leon Tolstoi
Crime e Castigo, Dostoiévski
Édipo Rei, Sófocles
Otelo, William Shakespeare
Fausto, Goethe
O Processo, Franz Kafka
Som e a Fúria, William Faulkner
A Terra Desolada, T.S. Eliot
O Vermelho e o Negro, Stendhal
Os Miseráveis, Victor Hugo
O Estrangeiro, Albert Camus
A Eneida, Virgilio
Noite de Reis, William Shakespeare
Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe
A Comédia Humana, Balzac
Grandes Esperanças, Charles Dickens
As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift
Finnegans Wake, James Joyce
Os Lusíadas, Luís de Camões
1984, George Orwell
Tartufo, Molière
Mensagem, Fernando Pessoa
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
A Náusea, Jean-Paul Sartre
Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queirós
O Apanhador no Campo de Centeio, J.D. Salinger
Contos de Agatha Cristhe
Orgulho e Preconceito, Jane Austen
O Caçador de Pipas, Khaled Hosseini
O Senhor Valéry, Gonçalo Tavares
S/Z, Roland Barthes
Todos os livros de José Saramago
Todos os livros de Mia Couto
Todos os livros de Miguel Torga

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O Alienista, Machado de Assis (sugestão de Helena Frenzel)

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Obs.: Não esqueça: Esta é uma indicação pessoal, que contém alguns livros e por isso nunca deixe de ler aquilo que você gosta de ler. Aliás, mande um e-mail para nós, com seus livros preferidos, que vamos aumentando nossa lista.
Boa leitura !

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

(Re) Pensar a Educação

Se pegarmos os verbos, perceberemos que todos nos levam a uma ação, da mesma forma que alguns da primeira conjugação remetem-nos para a idéia de realizações como: educar, ensinar, caminhar, sonhar. Mas ensinar, sonhar o quê? educar, caminhar para onde? Talvez, as locuções adverbiais de lugar, tempo e modo nos digam para onde, como e quando. Métodos de um aprender cercado de explicações científicas, mas que esquecem o significado dos valores simples da vida.
À lembrança da explicação gramatical somada à outra lembrança, desta vez socrática, leva-nos a refletir sobre o ato de ensinar. Educação vem do latim educare e educere, o primeiro conduz o indivíduo de um ponto ao outro; o segundo tira para fora as habilidades desses indivíduos. Logo, E-ducação é o ato de inserir o sujeito ao mundo com suas habilidades, conceito este explicado tão bem na maiêutica de Sócrates e retratado por Platão no diálogo de Mênon.
Quiçá, o entendimento à complexidade da Educação esteja na simplicidade do verbo amar. Mas falar de amor, atualmente, parece algo fora de qualquer contexto, quando tal fato é mencionado as pessoas se olham, se “cutucam”, comentam, como se isto fosse um fato distante e fora da inerência natural do homem.
A Pedagogia do Amor é tão complexa que somente pode ser descrita e entendida na simplicidade do próprio ato de ensinar de forma apaixonada. Paulo Freire dizia que os olhos dos professores apaixonados brilham quando diante de uma explicação percebem, no sorriso do aluno, que ele entendeu o que o próprio professor não esperava explicar e que escola é gente, o diretor é gente, o professor é gente, o aluno é gente, a faxineira é gente, somos gente é nada mais natural que amar a toda a gente. A educação somente fará sentido se a docência respeitar ao discente, tornando o ato de educar, um ato decente.
Os valores sociais mudaram e com isto nossa forma de educar e encaminhar parecem ter tomado o rumo complicado da vida.
Chegamos a um ponto que o verbo E-DUCAR virou um verbo de consumo, mas não consumo de trocas de saberes, de encaminhamentos e sim mercantilista.
A atual funcionabilidade do sistema educacional tornou-se um problema para a formação do indivíduo, na qual o ensino emergente e profissionalizante busca atender o mercado de trabalho, com objetivos imediatos e robotizados, fazendo com que homens esqueçam os valores fundamentais para sua vivência.
Em outro momento, poderíamos pensar que a demanda mercantilista de alunos-profissionais está atendendo suas próprias necessidades, mas até que ponto uma determinada profissão dá liberdade ao homem, em que eixo está a ligação da profissão que cada um adota e o que cada um, realmente, é?. E de que liberdade estamos falando? Será que a liberdade profissionalizante faz parte da autonomia de cada um ou ainda, será que esta autonomia é um fragmento das necessidades sociais consumistas e que retrata a falta de preparo para a vida, ou será que o encaminhamento para a vida não é ponto de reflexão dentro da educação?
Por vezes chegamos a pensar que estamos refletindo sozinhos e que esta solidão de pensamento faz com que cada vez nos sintamos mais fora do sistema. Todavia, não para abandonar as nossas certezas estruturadas em nossos valores, mas para acreditar cada dia mais que devemos ficar atentos às reais necessidades e às emergências que a vida apresenta.
Conforme Beck , estamos situados em uma era de (des) construção, uma era muito pobre, onde só há lugar para uma filosofia consumista, e a tal ameaçadora uniformidade de pensamento e ações tomou conta. A idéia desenfreada da oferta capitalista do século XIX parece (re) surgir com força total e novidades parecem correr o tempo, contrapondo-se ao percurso natural dos fatos. Todavia, Edgar Morin adverte-nos que nossa missão não é mais de ganhar o mundo, mas civilizá-lo. (MORIN, 2005: 05).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Literatura, Literatura Marginal e Literacia

Quando refletimos a respeito de não termos leitores ou quando nossa reflexão passa para o abandono escolar, sempre nos vem à mente a idéia que estas perdas estão relacionadas ao fato de que a escola não respeita as diversidades culturais existentes dentro dela, da mesma forma que pretende impor seus valores, via suas metodologias.
A utópica idéia de mudar o mundo, por meio da leitura, não pode ser concretizada se não começar por um número pequeno de participantes, entretanto, seletos, pois estão em formação humana dentro do ciclo da vida. E esse número reduzido de participantes deverá ser incentivado a começar no seu espaço físico alcançável, numa projeção futura para o mundo e, no mínimo com resultados para seu mundo, que conseqüentemente agirá sobre os demais. E assim, sucessivamente, a engrenagem de mudança começar a “andar”. Uma ação comunitária benéfica para todos.
Quando lembramos/definimos “obras marginais” queremos começar pela definição por aquilo que entendemos ser o primordial entre professor e aluno, a saída das formas convencionais aplicadas, digamos marginais às metodologias de ensino desta disciplina, com a utilização do material disponível a partir do aluno. Com esta possibilidade de inserção da Literatura Marginal dentro da sala de aula, podemos começar por formar leitores para podermos ensinar a literatura a partir das obras que nossos alunos gostam de ler, que nos parece a mais justa. Nossos estudos e propostas começam à margem das metodologias existentes, mas que possuem resultados significativos.
Toda e qualquer indicação de leitura deve ter uma atenção redobrada, bem como as inúmeras companhas de desenvolvimento para o hábito da leitura que defendem a idéia de uma inserção por aquilo que julgam os alunos precisarem. Esta responsabilidade de ficarmos atentos vai fazer com que percebamos se algumas destas obras consideradas marginais não estão atendendo a uma demanda social para se estabilizarem comercialmente e excluíndo o que nossos alunos trazem consigo como metódo de aprendizagem.
Analisando o papel do professor de literatura, antigamente tínhamos a idéia de que deveria ser o professor a fornecer indicações de livros, assim como ensinar o percurso da literatura feito pelos escritores ao longo dos tempos. É uma forma de metodologia, bem verdade, mas não é a única e nem deve ser mais a única, porque o uso de tais práticas tem distanciado o aluno das obras literárias e se é uma (des) construção de aprendizagem não combina com E- DUCAÇÃO, porque e-ducação é antes de tudo formar o homem no todo, considerando seu passado, presente e o seu futuro. Afinal, a idéia de ter à frente um professor que repassa conteúdos, com objetivos específicos, atendendo à demanda mercantilista, é um ato consciente, no mínimo, devastador para a formação do aluno enquanto leitor e enquanto SER humano .

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Os Cuidados Com o Livro

Com o avanço da tecnologia, hoje podemos ter muitos livros virtuais, chamados e-books. Os e-books, como li certa vez, poderiam ser entendidos, fazendo uma comparação com o livro impresso, como e-mails e os livros convencionais, estes que somos acostumados a manusear, seriam as cartas escritas à mão. Da mesma forma que a tecnologia avança, ela, ainda, não é de livre acesso para todos os indivíduos, ainda mais nos países menos desenvolvidos onde a internet é um luxo de consumo.

O livro é um amigo inseparável, sempre vai ter seu espaço real em nossas vidas e que cabe em qualquer lugar. Podemos tê-lo no bolso, na bolsa, em uma grande estante ou em um pequeno espaço dentro de nossas casas. E por mais que o mundo virtual tome conta do mundo real, mesmo assim, precisaremos cuidar dos livros que temos.
Enquanto a tecnologia não chega, seguem algumas dicas importantes para o cuidado deste velho amigo que nos faz conhecer os mundos, culturas, pessoas, via leitura. E como qualquer amigo, o livro requer cuidados especiais que vão desde a sua exposição até o seu manuseio. Se temos um livro de uma tiragem mais antiga, este necessita de um cuidado maior ainda.

Exposição do livro:

• Nunca deixe o seu livro exposto às condições climáticas, como chuva, vento ou sol, porque o contato deles com essas variações deterioram suas folhas a ponto de ficarem totalmente desconfigurados;
• Se por ventura o seu livro foi molhado, a melhor maneira de tentar preservar suas folhas e o que está impresso nelas, é intercalar entre as folhas molhadas uma folha de papel branca e lisa para que a mesma sugue a umidade contida nas folhas do livro. Perceba que nunca mais você terá em mãos a mesma qualidade do livro que tinha, da mesma forma se a capa for molhada. E, por fim, nunca empilhe um livro sobre o outro para secar. Logo, o cuidado com a umidade deve ser redobrado. Um outro processo é o de congelamento do livro molhado, mas este processo requer um curso específico que ensina, de uma forma especial, como fazer e desfazer o congelamento, afinal não basta somente congelar, existe todo um método de descongelamento.
• Caso o livro tenha sido colocado em exposição ao sol, a capa, assim como as folhas envergará. O cuidado nesse caso deve ser ao contrário do livro molhado. Você deve empilhá-los, mas antes deve tentar conter a envergadura das folhas, podendo usar um clips pequeno, de preferência de plástico ou de madeira. Perceba que a cor das folhas expostas também mudarão, todavia com menos prejuízo do livro como ao que foi molhado.
• O vento, para além de fazer o manuseio das folhas de forma brutal, também enverga e muitas vezes acaba rasgando as folhas. Por isso, tenha cuidado ao deixar o seu livro ao vento, por mais que esse vento possa parecer fraco.
• Quando for guardar o seu livro, procure fazer sempre na posição vertical e caso o espaço seja maior que a quantidade de livros, faça que nas extremidades desta fila de livros esteja sempre algo mais pesado que vai fazer com que os livros sempre fiquem próximos. Caso não tenha algo para ficar em vertical, pode ser algo que fique em horizontal, mas que faça a aproximação do mesmo jeito. Uma forma bem comum que vimos sempre e que pode ser feita, é a colocação do livro maior de forma horizontal no final da fila de livros. Assim, ficam perto e sem o risco de cairem para os lados.


Manuseio do livro:

• Nunca pegue um livro aberto, a menos que seja por baixo, com uma mão segurando uma das laterais e com a outra mão a palma estendida por debaixo. Desta forma estará dando base de sustentação para as laterais do livro.
• Não dobre o seu livro para poder ler. Procure mantê-lo sempre em uma base fixa, ou se não tiver, segure-o com uma mão estendida por detrás ou entre os joelhos de forma a garantir uma leitura confortável.
• Troque sempre as suas páginas pela parte superior das folhas e nunca molhe os dedos para facilitar a passagem das folhas.
• Ao fechar o livro para pausa, procure sempre ter um marcador de páginas. Caso você não tenha um, faça-o. Um marcador de páginas simples de se fazer é com papel cartão. Corte-o em uma largura de cinco ou oito centímetros, com uma altura que passe um pouco o tamanho da folha do livro. Geralmente, os livros têm tamanho aproximado e um marcador poderá ser usado para diversos livros. Poderá ainda fazer um marcador mais charmoso, com fita. Basta prendê-lo entre a colagem da capa e do conteúdo impresso. Entretanto, caso você não domine esta prática, opte pelo mais simples, de papel cartão.
• Nunca coma ou beba em cima de um livro. Ao mínimo descuido o seu livro pode ficar sujo ou molhado.
• Caso você esteja lendo um livro e queira fazer anotações, procure fazer separadamente, desta forma não risca e se for emprestar ou doar, sempre terá o livro em bom estado.
• Se você quiser fazer a catalogação do seu livro, independente do tamanho da sua biblioteca, seria interessante sempre catalogar por temas. Com este tipo de rotulação você deixa todos agrupados no mesmo lugar, ficando mais fácil de ser lembrado. Caso necessite de um aperfeiçoamento em sua biblioteca, depois do tema catalogado, faça por autores. Ambas catalogações devem ser feitas por ordem alfabética, a fim de facilitar a procura.
• Por fim, digamos que você queira presentear alguém, mesmo que essa pessoa seja a mais íntima possível, nunca escreva na parte interna do livro como cansamos de ver. Em primeiro lugar, o livro não é seu, nunca foi e nunca será, afinal você comprou para dar de presente. Em segundo lugar, nada mais desagradável do que receber um livro já rabiscado e o pior ainda, esses rabiscos não foram escritos pelo próprio autor. Agora, se você for o autor do livro, nada mais justo que escreva, na primeira página, uma dedicatória para seu leitor.
Uma idéia correlacional que gosto muito de fazer com meus alunos e lembrada, é a idéia de você se colocar no lugar do livro. Imaginamos que você é aquele livro, logo o tratamento para com ele será diferente.

Pense nisto, o Livro agradece,
Boa leitura e conservação !
** Ilustração de la lectrice ("A leitora"), óleo de Jean-Honoré Fragonard, 1770–1772.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sir Ken Robinson, a Educação e a Criatividade

Ilustração de Nicolas Delgado*

Assistindo ao vídeo do Sir Ken a respeito da Educação, titulado Do Schools Destroy Creativity?, conseguimos perceber, entre muitos aspectos, o uso do tema proposto, ou seja, a própria criatividade para se mostrar criativo. É como se na prática Sir Robinson fizesse uso das ferramentas que diz serem necessárias à Educação atual. E, de forma criativa, vem-nos falar de um tema muito antigo dentro da Educação que se trata das abordagens sobre as metodologias educacionais ao longo de nossas vidas.
Analisando um pouco acerca da vida do Senhor Robinson, temos diante de nós um homem portador de uma deficiência física. Talvez, tenha partido daí a sensível atitude contrária da expressão “educar da cintura para cima”, um PhD em Educação, que teve sua carreira inicial voltada para as artes e que mais tarde, em 2003, recebeu o título de cavaleiro da rainha Elizabeth II por seus serviços prestados às artes, e que defende a idéia que devemos “preparar nossos alunos para errar, pois somente assim eles terão uma idéia original, mas que estar errado não é a mesma coisa de ser criativo”.
Voltando um pouco às metodologias educacionais, usamos a citação do palestrante,“(…) Educar em todo o seu ser(…)” que vai ao encontro de toda abordagem educacional desde o último século e ganha uma ressalva, ampla e mais clara, no século atual, mas que na prática não se tem aplicado o tanto que se tem explorado sobre essas metodologias de ensinar, “no todo”, o ser humano. Sir Robinson traz, como um dos exemplos em sua palestra, uma referência a William Shakespeare, mencionando que o dramaturgo deveria se sentir irritado com atitudes educacionais que fugiam das suas práticas artísticas. A fim de comprovar a afirmação de Robinson, talvez esteja o fato que William Shakespeare nunca tivesse frequentado estudos sistemáticos e por tal motivo o mesmo escritor em sua comédia Love’s labour’s lost encenava o personagem Holofernes, satirizando os mestres-escolas em geral. Principalmente, aqueles a quem lembrava da sua cidadezinha natal de Strantford-on-Avon, porque Shakespeare sabia, mais do que ninguém, que toda vocação nata do ser humano era camuflada pela necessidade do sistema educacional da época. E se William fosse vivo atualmente, não seria diferente, imaginamos que seria muito pior.
O pensamento shakesperiano, de satirizar os professores com seus métodos para ensinar, dá-nos uma idéia da longevidade do quanto o tema vem se mostrando fora do contexto dos alunos e que somente os alunos mais audaciosos tomam por liberdade a escolha de encontrar seus talentos naturais que vão atender às suas paixões pessoais, como bem cita Sir Robinson em seu último livro, The Element.
Uma idéia correlacional que nos ocorre ao assistir o vídeo de Sir Ken é, justamente, aquela do professor de literatura, no filme Sociedade dos Poetas Mortos, interpretado por Robin Williams, no qual o professor protagonista, para além dos ensinamentos da disciplina, tenta desempenhar um papel incentivador diante dos dons percebidos em seus alunos, passando grande parte do filme sussurrando aos ouvidos dos mesmos: “Carpe Diem”, expressão encontrada no poema titulado “Odes”, de Horácio, que significa “atribuir o nosso tempo as coisas úteis, aquilo que realmente vai fazer diferença em nossas vidas, colhendo o instante, sem confiar no amanhã, porque a vida é breve” e que como cena final tem a subida de alguns alunos à mesa para fazer uma alusão às diferenças dos homens que serão com aqueles que ficaram sentados.
Trazendo para um exemplo mais próximo, geograficamente falando, outra idéia paralela ao que Sir Robinson diz-nos está ligada à Escola da Ponte, aqui em Portugal, a qual quem conhece fica, no mínimo, impressionado. Alunos que explicam, com atos, porque tudo lá é diferente. E é mesmo diferente. Aprendem o conteúdo por meio de dispositivos, ou seja, um aluno ajudando o outro.
Se pudesse dar um nome, daria de uma corrente do aprender, ou uma bola de neve de conhecimentos. Porque André, de nove anos, explicou-me que a matemática ele aprende pesquisando, tirando dúvidas com os colegas mais velhos e quando está pronto, digo, preparado, pensando que está apto ao conteúdo, ele lança no dispositivo que está pronto para fazer a avaliação. Resumidamente, é o André quem determina o momento de responder por aquilo que aprendeu.
Na parte superior da escola podemos encontrar a arte, na concretização da palavra, alunos pintando, confeccionando ao som de Bach, sim! Johann Sebastian Bach.
Quiçá, a realidade mostrada por Shakespeare, Robin Williams, Sir Robison e muitos outros, sejam as mesmas de um sistema educacional secular falho que leva em consideração, entre outros fatores, “a religião, o dinheiro e essas coisinhas”, de certa forma ensinadas para não dar uma importância maior à criatividade. Afinal, de que nos servirão dançarinos, pintores, escritores, artistas diversos ou não se não sabemos ensinar-lhes o uso de seus dons para a prosperidade de suas vidas e das demais? Mais certo seria, então, ensinar tudo que já temos por aí, que há séculos ditam os moldes educacionais de formação e que não requerem mudanças, justamente porque o ato de mudar significa ter de mexer no pensar e esse ato dá trabalho.
A grande jogada, se podemos chamar assim, de Sir Robinson é fazer uso da própria criatividade para se mostrar criativo dentro da arte de ensinar. E para além disso, mostrar que o homem quando foge das suas aptidões natas, torna-se apenas mais um.
Será que somos apenas mais um professor ou vamos nos mexer para pensar?
Assistam ao vídeo, vale a pena !

* Máscaras de Nicolas Delgado, pintor e dramaturgo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Metodologias Para Literatura


Muitas questões cercam a intencionalidade do ensino da literatura, bem como o seu conceito, pois a mesma sempre esteve à mercê de seus períodos históricos que determinavam seu ensinamento. De forma generalizada essa amostra começa em Platão e Aristóteles, que deram os primeiros conceitos do que era literatura, passando pela Idade Média, na qual a igreja estabelecia as regras do que poderia ser escrito e lido; da mesma forma, dentro do Renascimento, período esse marcado pelo capitalismo, no qual os burgueses direcionavam a arte e a literatura. A partir do Romantismo, a literatura passa a ter uma libertação maior que vem ao encontro do indivíduo, tendo também influência da revolução industrial com seus problemas típicos e tem como pano de fundo o amor e a paixão; no Modernismo já não temos um estilo único porque há uma maior liberdade de expressão e sua conotação fica por conta das idéias nacionalistas, e chegamos ao contemporâneo com uma futura classificação.
Todavia, seria muito mais proveitoso e produtivo, ao invés de ficarmos demarcando períodos históricos para nossos alunos, se buscássemos entender a função do processo literário para a humanidade a partir da idéia que “(...) ao mesmo tempo em que o ser humano é múltiplo, ele é parte de uma unidade” (MORIN, 2005:5*). Ou seja, uma vez que o aluno ao se deparar com a literatura e dentro do contexto literário interage, ele consegue perceber a sua obra e o seu real papel diante do mundo. Pois é pela compreensão do que fomos ontem que conseguimos nos projetar para o futuro. De outro ângulo, poderíamos dizer que independente de qualquer período da literatura a mesma deveria fazer parte da vida do aluno a tal ponto que ele não fosse observador da história, mas atuante nesse processo histórico de forma lúdica. É como se criássemos um personagem, dessa vez revestido na condição de aluno, para que ele fosse atuando e narrando a própria vivência com a literatura.
Toda questão metodológica da literatura poderia tomar forma vital para esse aluno se fosse, primeiramente, trabalhado em sala de aula a forma teatral, musical, textual, cinematográfica, etc., contextualizada com as trovas portuguesas (por exemplo) e posteriormente solicitado a este mesmo aluno que fizesse uma contextualização do sofrimento amoroso das Cantigas de Amor com o último livro lido ou artigo de jornal, revista, filme, programa de televisão (Morangos com Açúcar** ) que ele assistiu ou peça teatral. Ou ainda, mesmo dentro do seu cotidiano que ele relatasse tal sofrimento amoroso e o que isso representa para a vida dele. Quiçá, a formação de um blog literário seria, também, uma alternativa para aproximar a realidade estudantil com o contexto estudado, uma vez que o aluno passa uma boa parte do seu tempo diante do computador com pesquisas e em sites de relacionamento. Outra possibilidade de aproximar o jovem aluno do mundo literário seria criar jogos “on line” praticados na própria sala de aula ou em um espaço não convencional, criado dentro da escola. Numa projeção mais audaciosa, proporcionar que as salas de aula sejam preparadas com as temáticas desenvolvidas ao longo do conteúdo da literatura. Imaginamos nesse último caso que o aluno entraria para uma aula atemporal e que o tempo do século XII passaria a ser atual.
E, por fim, por que não dizer momentos de caminhadas, nas proximidades da escola, encontros em cafés como faziam os filósofos do século XIX. Pois entendemos que tais procedimentos adotados como formas didáticas fariam com que o aluno percebesse as diferenças temporais e a importância de que alguns temas universais, nesse caso o amor, têm para os indivíduos. Para, além disso, perceberia também a forma cultural, suas diferenças, quem foram os homens trovadores e quem são os homens contemporâneos com seus momentos diferentes e marcantes.
Logo, se todo ensinamento da disciplina de literatura fosse ensinado conjuntamente com a vida do aluno, as provas dos exames teriam outro tipo de questão e nossos alunos não precisariam decorar questões, como temos acompanhado ao longo de todo percurso estudantil, porque esse processo seria um processo natural de aprendizagem ao longo da vida do aluno.


*MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2005, p.3.
**Independente das opiniões formadas a respeito do programa citado, o programa Morangos com Açucar é lider desde 2004, com destaque para o público dos 04 aos 24 anos, está no ano de 2009 na sua VI série televisiva.